Lisbon

The Book of Disquiet by Fernando Pessoa

Book of Disquiet

The Book of Disquiet

The left unedited Book of Disquiet by Fernando Pessoa semi-heteronym Bernardo Soares’s has many (and very different) versions and a new and beautifully illustrated short edition: «palavras do Livro do Desassossego (http://www.centroatl.pt/titulos/desafios/desassossego/)

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O Livro do Desassossego, inacabado e inacabável, apresenta-se em múltiplas edições (e em diversas línguas). A edição «palavras do Livro do Desassossego (mais informações em http://www.centroatl.pt/titulos/desafios/desassossego/) inclui os trechos mais luminosos e representativos.

Reading books on public transportation

Reading books on public transportationWhere do people read books?

Where do you like to read? Do you like to read books on public transportation?

In this image the girl is reading in the Bica Funicular (Lisbon, Portugal). The Bica Funicular opened in 1892 and in 2002 it was designated a National Monument.

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Onde é que se lê mais livros?

Onde é que prefere ler? Por exemplo, gosta de ler nos transportes públicos?

Na imagem, a leitura absorvente é efectuada no Elevador da Bica (ou Ascensor da Bica), funicular inaugurado em 1892 que estabelece a ligação entre o Largo do Calhariz e a Rua de São Paulo, em Lisboa; Monumento Nacional desde 2002.

Index Librorum Prohibitorum

Index Librorum Prohibitorum

Ever since the 15th century products of the printing press have been subject to censorship. The rise of movable type printing in the 15th century triggered preventive and repressive censorship.
Ever since its beginnings, the Roman Catholic Church has tried to protect the faithful against what it sees as dangerous thoughts and writings. Following the invention of the printing press this led to the Index Librorum Prohibitorum (from 1559, with Pope Paul IV till 1966, with Pope Paul VI). The Index contains texts banned by the Roman Catholic authorities because they were said to endanger faith and public morals.
Some noteworthy intellectuals figures on the Index include Blaise Pascal, Nicolau Maquiavel, René Descartes, Rousseau, Victor Hugo and Voltaire.(photo taken at National Library of Portugal)******Desde a invenção da prensa de tipos móveis (imprensa), no século XV, que todo o material impresso tem estado sujeito a censura (preventiva ou repressiva). Igualmente, desde os seus primeiros tempos, a Igreja Católica tentou ‘proteger’ os seus fiéis daquilo que pensava serem escritos ou pensamentos perigosos. Isto levou à publicação de uma edição, continuamente actualizada, designada por Index Librorum Prohibitorum – Índice dos Livros Proibidos – (vigorou desde a sua promulgação inicial em 1559, no Concílio de Trento, com o Papa Paulo IV, até ao ano de 1966, com o Papa Paulo VI). O Index identificava os textos banidos pelas autoridades católicas por, segundo estas, conterem conteúdo tido como impróprio e, como tal, colocarem em perigo a fé e a moral pública. Algumas obras de intelectuais bem conhecidos, tais como Blaise Pascal, Nicolau Maquiavel, René Descartes, Rousseau, Victor Hugo e Voltaire, foram alvo de censura e integraram o Index.
Algumas edições do Index Librorum Prohibitorum apresentavam a paradoxal imagem (na foto) dos doutores da Igreja a queimar os livros ‘heréticos’!

(imagem captada na Biblioteca Nacional de Portugal

Reading Fernando Pessoa

Reading Fernando Pessoa
«From the terrace of this café I look tremulously out at life. I can’t see much of it, just the bustle of people concentrated in this small bright square of mine. Like the beginnings of drunkenness, a profound weariness illuminates the souls of things. Life, obvious and unanimous, flows past outside me in the footsteps of the passers-by.
In this moment my feelings all stagnate and everything seems other than it is, my feelings a confused yet lucid mistake. Like an imaginary condor, I spread my wings but do not fly.
As a man of ideals, perhaps my greatest aspiration really does not go beyond occupying this chair at this table in this café.

Everything is as utterly vain as stirring up cold ashes, as insubstantial as the moment just before dawn.
And the light shines serenely and perfectly forth from things, gilds them with a smiling, sad reality. The whole mystery of the world appears before my eyes sculpted from this banality, this street.
Ah, how mysteriously the everyday things of life brush by us! On the surface, touched by light, of this complex human life, Time, a hesitant smile, blooms on the lips of the Mystery! How modern all this sounds, yet deep down it is so ancient, so hidden, so different from the meaning that shines out from all of this.»
The Book of Disquiet, Fernando Pessoa
(photo: Café No Chiado, Lisboa, Portugal)

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«Do terraço deste café olho tremulamente para a vida. Pouco vejo dela – a espalhada – nesta sua concentração neste largo nítido e meu. Um marasmo como um começo de bebedeira, elucida-me a alma de coisas. Decorre fora de mim nos passos dos que passam e na fúria regulada de movimentos a vida evidente e unânime.
Nesta hora dos sentidos estagnarem-me e tudo me parecer outra coisa – as minhas sensações um erro confuso e lúcido, abro asas mas não me movo, como um condor suposto.
Homem de ideais que sou, quem sabe se a minha maior aspiração não é realmente não passar de ocupar este lugar a esta mesa deste café?

Tudo é vão, como mexer em cinzas, vago como o momento em que ainda não é antemanhã.
E a luz bate tão serenamente e perfeitamente nas coisas, doura-as tão de realidade sorridente e triste! Todo o mistério do mundo desce até ante meus olhos se esculpir em banalidade e rua.
Ah, como as coisas quotidianas roçam mistérios por nós! Como à superfície, que a luz toca, desta vida complexa de humanos, a Hora, sorriso incerto, sobe aos lábios do Mistério! Que moderno que tudo isto soa! E, no fundo tão antigo, tão oculto, tão tendo outro sentido que aquele que luze em tudo isto!»
Livro do Desassossego, Fernando Pessoa
(fotografia: Café No Chiado, Lisboa)