Fernando Pessoa

To be great, be whole

José Avillez’s Belcanto restaurant

José Avillez’s Belcanto restaurant

Next to the house where Fernando Pessoa was born José Avillez’s Belcanto restaurant (first restaurant in Lisbon to be distinguished with two Michelin stars, and José Avillez is the first Portuguese chef to obtain this honour in Portugal) reveals in his library a Ricardo Reis (Fernando Pessoa) extraordinary poem:

To be great, be whole

(To be great, be whole: Exclude
nothing, exaggerate nothing that is you.
Be whole in everything. Put all you are
Into the smallest thing you do.
The whole moon gleams in every pool
Because it rides so high.)

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Junto à casa onde nasceu Fernando Pessoa, o restaurante Belcanto de José Avillez (primeiro restaurante em Lisboa a ser distinguido com duas estrelas Michelin e José Avillez o primeiro chef português a receber esta distinção em Portugal) ilumina na sua biblioteca, recortado das estantes, um verso de um dos mais inspirados poemas de Ricardo Reis (Fernando Pessoa):

Para ser grande, sê inteiro

(Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.)

The Book of Disquiet by Fernando Pessoa

Book of Disquiet

The Book of Disquiet

The left unedited Book of Disquiet by Fernando Pessoa semi-heteronym Bernardo Soares’s has many (and very different) versions and a new and beautifully illustrated short edition: «palavras do Livro do Desassossego (http://www.centroatl.pt/titulos/desafios/desassossego/)

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O Livro do Desassossego, inacabado e inacabável, apresenta-se em múltiplas edições (e em diversas línguas). A edição «palavras do Livro do Desassossego (mais informações em http://www.centroatl.pt/titulos/desafios/desassossego/) inclui os trechos mais luminosos e representativos.

Reading Fernando Pessoa

Reading Fernando Pessoa
«From the terrace of this café I look tremulously out at life. I can’t see much of it, just the bustle of people concentrated in this small bright square of mine. Like the beginnings of drunkenness, a profound weariness illuminates the souls of things. Life, obvious and unanimous, flows past outside me in the footsteps of the passers-by.
In this moment my feelings all stagnate and everything seems other than it is, my feelings a confused yet lucid mistake. Like an imaginary condor, I spread my wings but do not fly.
As a man of ideals, perhaps my greatest aspiration really does not go beyond occupying this chair at this table in this café.

Everything is as utterly vain as stirring up cold ashes, as insubstantial as the moment just before dawn.
And the light shines serenely and perfectly forth from things, gilds them with a smiling, sad reality. The whole mystery of the world appears before my eyes sculpted from this banality, this street.
Ah, how mysteriously the everyday things of life brush by us! On the surface, touched by light, of this complex human life, Time, a hesitant smile, blooms on the lips of the Mystery! How modern all this sounds, yet deep down it is so ancient, so hidden, so different from the meaning that shines out from all of this.»
The Book of Disquiet, Fernando Pessoa
(photo: Café No Chiado, Lisboa, Portugal)

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«Do terraço deste café olho tremulamente para a vida. Pouco vejo dela – a espalhada – nesta sua concentração neste largo nítido e meu. Um marasmo como um começo de bebedeira, elucida-me a alma de coisas. Decorre fora de mim nos passos dos que passam e na fúria regulada de movimentos a vida evidente e unânime.
Nesta hora dos sentidos estagnarem-me e tudo me parecer outra coisa – as minhas sensações um erro confuso e lúcido, abro asas mas não me movo, como um condor suposto.
Homem de ideais que sou, quem sabe se a minha maior aspiração não é realmente não passar de ocupar este lugar a esta mesa deste café?

Tudo é vão, como mexer em cinzas, vago como o momento em que ainda não é antemanhã.
E a luz bate tão serenamente e perfeitamente nas coisas, doura-as tão de realidade sorridente e triste! Todo o mistério do mundo desce até ante meus olhos se esculpir em banalidade e rua.
Ah, como as coisas quotidianas roçam mistérios por nós! Como à superfície, que a luz toca, desta vida complexa de humanos, a Hora, sorriso incerto, sobe aos lábios do Mistério! Que moderno que tudo isto soa! E, no fundo tão antigo, tão oculto, tão tendo outro sentido que aquele que luze em tudo isto!»
Livro do Desassossego, Fernando Pessoa
(fotografia: Café No Chiado, Lisboa)